Solução à vista

Ao fim de oito dias a manifestar-se frente à fábrica, trabalhadores recebem notícia que salários de dezembro podem ser pagos já durante esta semana. Direção da Cerâmica de Valadares consegue adiantamento de uma grande encomenda. Autarquia promove benefícios a trabalhadores com mais dificuldades
Desde as oito horas de terça-feira que os trabalhadores da Cerâmica de Valadares estão em protesto, bem em frente às instalações da fábrica. Em causa estão os ordenados em atraso, referentes aos meses de dezembro e janeiro. Dia e noite, os cerca de 400 trabalhadores vão-se revezando e mostrando o desagrado pelo arrastar desta situação.
Mas parece que a situação será resolvida nos próximos dias. Em comunicado, a empresa fez saber que “a Fábrica Cerâmica de Valadares, SA, assegurou o pagamento de salários em atraso aos seus colaboradores. Este pagamento dos salários é possibilitado por uma grande encomenda realizada pelo Grupo Hagen SGPS”. Segundo o presidente da cerâmica, Galvão Lucas, tudo estará resolvido nos próximos dias, “graças à relação de confiança demonstrada pela Hagen, que aceitou proceder ao pré-pagamento do fornecimento”.
No mesmo comunicado, o administrador conta a sua versão dos acontecimentos nestes últimos dias: “um pequeno grupo de colaboradores da empresa deu início a um boicote à entrada e saída de mercadorias da fábrica em Valadares, em consequência do atraso do pagamento do vencimento do mês de dezembro. Foi nesse momento apresentado pela administração à Comissão de Trabalhadores uma proposta de pagamento do vencimento de dezembro até sexta-feira, dia 3 de fevereiro, e o pagamento do mês de janeiro, que entretanto se venceria até dia 17 de fevereiro. Para cumprir essa promessa, seria necessária a desmobilização do boicote às entradas e saídas da empresa”. Galvão Lucas assegura que essa Comissão aceitou a proposta. Contudo, um “grupo de colaboradores rejeitou o acordo, mantendo o boicote, inviabilizando o normal funcionamento da empresa e a obtenção dos meios necessários para o cumprimento das responsabilidades em tempo útil”.
Apesar destas “dificuldades de tesouraria”, Galvão Lucas assegura que a cerâmica “mantém um nível de encomendas muito significativo, que permite a sua viabilidade”. Esta situação que agora se vive na fábrica de Valadares acontece à semelhança da problemática financeira que se passa no país, onde as limitações ao crédito dificultam em grande medida o normal funcionamento na relação com fornecedores e clientes”.
Atualmente, a Cerâmica de Valadares exporta quase 70% da produção para cerca de 50 países.

Câmara de Gaia vai ajudar trabalhadores em dificuldades
O presidente da câmara municipal também foi ouvir os trabalhadores. Neste sábado de manhã, deslocou-se as instalações (acompanhado do filho Luís Menezes, na qualidade de deputado da Assembleia da Republica) e conversou com os funcionários que continuam em protesto.
Depois de os ouvir, o autarca garantiu que vai levar a reunião de câmara, já nesta semana, uma proposta para diminuir as tarifas municipais aos trabalhadores da cerâmica que se encontrem em maiores dificuldades. Água, lixo, saneamento e prestações nas escolas deverão ser reduzidas, desde que se justifique economicamente.
Esta é uma das formas com que a autarquia pretende ajudar estes trabalhadores, mas não só. O município vai associar-se às juntas de Vilar do Paraíso e Valadares e montar um local de atendimento para sinalizar os trabalhadores que se encontrem em maiores dificuldades financeiras, resultantes dos dois salários em atraso.
Também nos próximos dias, o presidente da câmara conta reunir deputados das várias forças políticas para encontrar uma forma de garantir “um pacote de ajuda mínima” às famílias que atravessam mais dificuldades, não só da Cerâmica de Valadares, mas também em mais uma ou duas situações agudas de desemprego que estão a suceder em Gaia.
“A câmara não é um sindicato, nem o ministério da Economia, o seu papel é aconchegar as dificuldades das pessoas, de acordo com as competências que tem e é isso que estamos a fazer”, justificou o autarca gaiense.
Menezes aproveitou ainda para apelar ao Governo no sentido de que as receitas do aumento do IMI – “que é lançado este ano a título excecional e que não vem para as Câmaras” – , possa ser “repensado no caso de trabalhadores desempregados”.
Quanto à fábrica de Valadares, o edil recordou que “a câmara resolveu problemas a esta empresa há dois ou três anos atrás, quando valorizou estes terrenos de uma forma brutal para fazer aquilo que era óbvio, que era negociar com a banca e transferir esta empresa para outro local em Valadares onde fosse possível ter um outro layout, que aumentasse a capacidade produtividade da empresa”.

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