“Two starring eyes” vence Grande Prémio Fantasporto

"Two starring eyes"

Realizou-se entre os dias 21 de Fevereiro e 6 de Março a 31ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto, dedicada às tendências do fantástico e do imaginário. Durante duas semanas foram exibidos nas salas do Teatro Municipal Rivoli mais de 300 filmes, oriundos de 25 países, com particular relevo para o cinema europeu.

O Fantas, como é conhecido pelo milhares de visitantes anuais, é um festival já consagrado do panorama internacional, sendo mesmo considerado pela prestigiada revista “Variety” como um dos 20 mais importantes festivais do mundo, tendo-se tornado ao longo dos várias edições, desde o lançamento em 1981 como Mostra de Cinema Fantástico, no mais significativo e falado acontecimento cinematográfico de Portugal. Desde o início, o Fantas sempre pretendeu ser um fórum cultural e pólo dinamizador de todas as artes, com incidência natural na divulgação e promoção do bom e variado cinema de todas as partes do mundo, como contraponto ao cinema comercial americano.

Mas nem só de cinema vive o Fantasporto. Foi e é preocupação dos organizadores apresentar um conjunto de iniciativas de âmbito cultural e artístico, como foi o caso este ano, do programa especial de artes plásticas e cinema. Neste programa foram incluidos debates e exposições no Teatro Rivoli, assim como a produção de 17 filmes/documentários sobre artistas de topo da cena artística portuguesa, com a parceria da Universidade do Porto – Faculdade de Belas Artes e a Universidade Católica.

No campo das homenagens destaca-se a realizada a Paulo Trancoso, produtor e realizador, fundador em 1982 da Costa do Castelo Filmes, e responsável por alguns dos mais destacados títulos do cinema português, tais como “A Selva” de Leonel Vieira, “Duas Mulheres” de João Mário Grilo e o mais recente e premiado “Pare, Escute e Olhe” de Jorge Pelicano, uma reflexão sobre o desaparecimento da linha do Tua e das respectivas consequências sociais e ambientais.

Falando de cinema, nas sessões competitivas do Festival, destaque para a criação de uma nova ‘categoria’, dedicada em exclusivo ao cinema ‘made in Portugal’. O Fantasporto tem dedicado ao longo dos anos várias sessões à produção nacional tanto de longas como curtas metragens. Este ano foi chegado o tempo de dar mais um passo, e atribuir dois prémios, um para filmes produzidos em Portugal ou em co-produção com Portugal e um outro para o filme português cujo director tenha menos de 30 anos. O júri da secção Panorama do Cinema Português, composto pelo realizador Jorge Campos, pelo jornalista José Pimenta de França e pelo director da Bragacine Artur Barros, distinguiu o filme “Hope” de Pedro Sena Nunes, com o prémio do cinema português, enquanto que o galardão para o melhor jovem realizador coube a João Alves, por “Bats in feldry”.

Nas secções competitivas tradicionais, compostas pela secção Orient Express  – dedicada ao cinema dos países do extremo oriente, 21.ª Semana dos Realizadores e 31.ª Secção Oficial de Cinema Fantástico, os grandes vencedores foram filmes originários da Holanda e da Coreia do Sul.

Na secção Orient Express, o mestre sul coreano Kim Jee-Woon, já anteriormente premiado em 2004 por “A história de duas irmãs”, volta a vencer a edição de 2011 com uma história violenta sobre vingança levada ao extremo, bem ao gosto oriental. O filme “I saw the devil” foi assim distinguido com o prémio de melhor filme da secção, entre oito que estavam a concurso. O júri composto pelo distribuidor alemão Stephan Weiz, pelo produtor espanhol Xosé Carlos Fernandez e pelo jornalista belga François Casales decidiu também atribuir o prémio Internacional Guide Film (IGF) ao filme “Enemy at the dead end” do também sul coreano Park Soo-Young.

The Housemaid

Na secção 21.ª Semana dos Realizadores, à qual o decano dos realizadores mundiais Manoel de Oliveira acedeu associar o seu nome, o grande vencedor foi “Housemaid” de Im Sang-Soo. Um filme ao mesmo tempo ternurento e cruel, que conta a história de uma mulher divorciada de meia idade que é contratada por uma família da classe alta da sociedade. Para além da distinção como melhor filme viu também os actores principais serem premiados com a melhor interpretação feminina e masculina. Yoshifumi Tsubota, com o filme “Miyoko” proveniente do Japão, foi distinguido com o prémio especial do Juri e com o prémio de melhor argumento, o qual foi sua autoria. O Prémio de melhor realizador foi para o argentino Pablo Trapero por “Carancho”. Do júri para a 21.ª Semana dos Realizadores fizeram parte o realizador português Tiago Guedes e o realizador Francês Stephan Le Lay, presididos por Maria de Medeiros. A actriz portuguesa, que foi presença assídua nos corredores do Teatro Rivoli, foi ainda distinguida durante a sessão de entrega oficial de prémios com o prémio carreira.

Mick Garris, realizador e argumentista americano, que foi distinguido também ele com o prémio carreira Fantasporto, presidiu ao júri da secção Oficial de Cinema Fantástico, juntamente com o realizador britânico Julian Grant e o jornalista espanhol Raoul Gil Toural, que atribuiu o Prémio Especial do Júri ao filme provocação deste ano, “A servian film” de Srdjan Spasojevic. Este é um filme extremamente violento, vivamente desaconselhado a pessoas sensíveis, pelas cenas efectivamente chocantes, que não deixa ninguém indiferente, e que viaja ao mais fundo da besta humana e do seu imaginário violento. O prémio de melhor curta-metragem foi para “Brutal relax” do espanhol David Munoz, país que acaba por arrecadar também o prémio para melhores efeitos especiais através de “La herencia valdemar II” de José Luis Aleman.

Como melhor realizador do Fantasporto, o júri decidiu distinguir o já premiado na secção Orient Express, Kim Jee-Won, com o filme “I saw the Devil”.

Finalmente o grande vencedor. Elbert Van Strien dificilmente adivinharia que uma conversa com o seu psiquiatra o pudesse levar a este fim. Vencedor do Grande Prémio Fantasporto 2011, o holandês junta também o prémio de melhor argumento desta edição. “Two starring eyes” é um fascinante thriller psicológico com laivos de terror sobre a maneira como nós, os seres humanos deformamos a realidade a partir daquilo que vemos. Com uma fotografia e enquadramentos de extrema qualidade, que nos dá uma aparência de normalidade, este filme transporta-nos para outros como os de David Lynch ou Alfred Hitchcock. A não perder…

A imprensa presente no festival atribuiu o prémio da crítica ao primeiro filme de terror a ser produzido em Israel por Aharon Keshales e ao também ele crítico de cinema Navot Papushado com o filme “Rabies (Kalevet)”. Já o público presente votou na última obra de Luc Besson, a divertida história de “The extraordinary adventures of Adéle Blanc-Sec”.

Na sessão oficial de entrega de prémios, o director do Fantasporto fez um discurso bastante crítico contra o que ele intitulou “micro pais chamado Lisboa”, que tudo seca ao resto do pais a que chama de “paisagem”. Mário Dorminsky relembrou que esta 31.ª edição do Fantasporto, apesar dos cortes no orçamento superiores a 40%, causados pelos cortes nos apoios quer por parte do governo, quer da autarquia local, “este foi o maior até hoje realizado, em número de filmes, de convidados e de imprensa presente”, tendo ainda sido quebrado o recorde de assistências. Ficou ainda a promessa de que apesar de todos os constrangimentos, com a colaboração de todos quantos se têm dedicado a esta tarefa, a edição de 2012 será também ela um êxito. A nós resta-nos aguardar mais um ano. MAL

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