Tradições da Cerâmica em Vila Nova de Gaia

No dia 13 de Novembro, a biblioteca municipal recebeu a palestra ‘Tradições da cerâmica de Vila Nova de Gaia’. Organizado pela a Associação Verde Gaia, o colóquio integrou-se numa série de ‘Conversas sobre Gaia’ e contou com a presença especial de Francisco Barbosa da Costa.

O presidente da direcção da Verde Gaia abriu a sessão. Manuel Pontes convidou o orador a tentar clarificar a importância que teve a actividade cerâmica em Gaia e quais os desafios que se deparam no futuro próximo.

Mas coube à eurodeputada, Ilda Figueiredo, ‘apresentar’ Barbosa da Costa. Evidenciou a sua obra (34 publicações já editadas), a actividade como deputado e autarca, bem como acções que realizaram em conjunto, no decorrer da função de ambos, enquanto vereadores da câmara de Gaia. Ilda Figueiredo referiu-se, concretamente, à colaboração com ceramistas e a propostas para a criação de um núcleo museológico/artístico nas instalações actualmente ocupadas pela GaiaSocial (Quinta da Forqueta) ou nas instalações da antiga Fábrica Cerâmica das Devesas.

A gaiense referiu-se também ao projecto de lei que apresentou para a criação do Museu da Cerâmica em Vila Nova de Gaia, incluindo a recuperação das instalações de parte da Fábrica das Devesas. O objectivo era instalar nesse local um conjunto de ateliers/oficinas, que divulgassem o rico património da tradição da cerâmica no município e o desenvolvimento de actividades artísticas, incluindo de jovens ceramistas. Infelizmente, as propostas não foram avante. Os convidados manifestaram apreensão pela apatia manifestada pela actual gestão autárquica relativamente a esta área da defesa do património.

Os dois ex-vereadores frisaram ainda preocupação relativamente às instalações actuais da Fábrica da Cerâmica das Devesas, uma vez que se ignora o destino que lhe está reservado. Para agravar esta questão, já desapareceram os painéis de azulejos que revestiam parte das paredes e que eram património classificado, não se sabendo o encaminhamento que lhes foi dado. Realçaram também ser urgente manifestar apoio às actividades artísticas de cerâmica ainda activas, para poderem progredir e projectar a tradição cerâmica gaiense.

O orador principal aproveitou para fazer uma importante recapitulação das actividades cerâmicas em Vila Nova de Gaia, desde tempos remotos, realçando o historial das 19 fábricas de cerâmica que, nos últimos séculos, laboraram no vale do Douro, junto à foz, sendo que 17 delas se situavam no município e duas na cidade do Porto.

No final da sua exposição, que está escrita e será brevemente divulgada, foi aberto um debate ao público presente.

Nas várias intervenções foram elogiadas e realçadas as iniciativas deste género, pois a maior parte dos intervenientes não tinha a noção da riqueza das tradições cerâmicas do nosso concelho.

Foi proposto pelo presidente da direcção da Verde Gaia a elaboração de um documento realçando a importância do tema, o qual será enviado às autoridades competentes, designadamente órgãos municipais e governo.

A proposta foi aceite, tendo-se prontificado a deputada no Parlamento Europeu, Ilda Figueiredo, a chamar a atenção da Comissão Europeia para a importância da salvaguarda das actividades tradicionais, de que a cerâmica artística é um dos exemplos e de que Gaia mantém um rico património que importa salvaguardar e valorizar

Os ceramistas presentes – Cerâmica do Douro e Susana Guedes – sugeriram que se tentasse realizar, a curto prazo, um encontro entre todos os ceramistas activos do concelho para exporem os trabalhos e aproveitar para discutir o futuro desta arte, quais as necessidades actuais e propostas para um desenvolvimento sustentado.

Encerrou-se a sessão com uma visita à exposição que estará até ao final do mês na Biblioteca e ao atelier da ceramista Susana Guedes que também estará disponível ao público durante o mesmo período.

‘Conversas sobre Gaia’

Com a iniciativa ‘Conversas sobre Gaia’, a Associação Verde Gaia leva a cabo um ciclo de conferências que, através da participação de convidados de diferentes áreas e de alguma forma ligados a Gaia, se vão abordar várias realidades do concelho.

Este ciclo de conferências resultará certamente num património de enriquecimento individual e colectivo, que saberão utilizar como contributo para o estudo, divulgação e defesa do património cultural e ambiental de Vila Nova de Gaia.

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