Sociedade

Holocausto e Heroísmo lembrados no Isla Gaia

O Centro de Estudos de Israel, Médio Oriente e Mediterrâneo (CEIMOM) celebrou no passado 12 de Abril “O dia de Recordação do Holocausto e do Heroísmo”. A cerimónia teve lugar no Isla Gaia onde está sediado o centro, inserido na estrutura de investigação da UNISLA.

Antes de se dar início à cerimónia, foi inaugurada a exposição “Portugal e os Refugiados Judeus da II Guerra Mundial”, que teve a coordenação de Emília Mota, docente na Escola Secundária Alexandre Herculano. De acordo com a organizadora, esta exposição teve como objectivo a “elucidação dos alunos da escola onde lecciono acerca do que aconteceu durante a II guerra Mundial, com especial destaque para a presença dos refugiados oriundos do conflito em Portugal”. A mostra esteve patente na escola na semana de 25 a 29 de Janeiro, onde foram realizadas diversas iniciativas em memória do Holocausto.

A cerimónia foi iniciada com uma pequena intervenção de Artur Villares, que frisou o facto deste acontecimento não se tratar de uma celebração, mas sim de “uma memória do Holocausto e de todos aqueles que resistiram e foram heróis.” Precisamente por não se tratar de uma comemoração, foi pedido aos presentes na cerimónia que não batessem palmas no final de cada intervenção, em sinal de respeito a todas as vítimas que esta data tem o objectivo de lembrar. Seguidamente, foi dada a palavra a Emília Mota, cuja intervenção se centrou nas três principais fases de entrada dos refugiados da II Guerra em Portugal: a primeira, quando o conflito ainda não estava instalado, onde a entrada era feita sem restrição; na segunda fase começam os refugiados a chegar em massa e Portugal começa a controlar as fronteiras; e a terceira fase, na altura da ocupação de França, a mais intensa da imigração. Para ilustrar essa situação, conta que as fronteiras foram encerradas apenas por um dia e que ao final desse dia já estavam concentradas à espera para entrar em Portugal cerca de 18 mil refugiados.

A segunda intervenção foi feita por Adriano Vasco Rodrigues, cuja participação incidiu sobre duas partes principais: a primeira sobre as recordações que tem da infância sobre a presença dos refugiados no nosso país durante a II Guerra Mundial; e a segunda sobre a vida de Aristides Sousa Mendes. Falou sobre todas as dificuldades que os judeus encontraram desde a viagem até à chegada a Portugal, problemas esses que passavam pela falta de alimentação e alojamento, entre outros. Recordou também os actos de generosidade de toda a população da sua região que abriam a porta de casa para acolher os refugiados e gastavam os já escassos recursos para fornecer alimento aos mais necessitados. Sobre Aristides Sousa Mendes, que trabalhava para o Consulado Português em Bordéus, revelou que este fez tudo o que estava ao seu alcance para fornecer vistos aos refugiados para que pudessem escapar à morte. Salientou também que as actividades do cônsul nunca foram remuneradas, ao contrário daquilo que muitos dizem.

Por último falou o presidente da Comunidade Israelita do Porto, cuja intervenção teve como principal objectivo a reflexão sobre os verdadeiros culpados do Holocausto. Ferrão Filipe frisou que a culpa está dividida em duas partes: quem realizou este acto e quem o consentiu. Salientou que os Aliados foram cruciais na luta contra os Nazis mas que a intervenção nem sempre foi atempada, tendo em conta que muitos já sabiam o que se passava nos campos de concentração mas nunca fizeram nada para intervir. Salientou ainda que existe uma grande possibilidade de uma situação destas voltar a acontecer, por isso é que afirma que “falamos do holocausto no passado, mas eu prefiro falar do holocausto em aberto”. Para concluir relembrou que nem todos os judeus morreram pacificamente e que por causa disso nunca devem ser esquecidos.

Após todas as intervenções, foi realizada uma cerimónia simbólica que consistiu no acender de seis velas, cada uma representante de um milhão de vítimas. Seguiu-se a intervenção musical de Jed Barahal, violoncelista. Para finalizar a iniciativa, foi servido um Porto de Honra nas instalações do CEIMOM.

Todas as participações foram bastante emocionadas e tiveram como objectivo principal lembrar à plateia que esta tragédia teve consequências nefastas de que todos devem ter conhecimento. De todas as intervenções, uma mensagem é unânime: nunca esquecer. Ana Oliveira / Cláudia Lopes

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s