Sociedade

Crianças animam 25 de Abril

coro

O Coro das 'Actividades de Enriquecimento Curricular de Gaia' é um projecto pedagógico da Gaianima que envolve todas as escolas básicas do concelho. No Natal fizeram a primeira actuação, envolvendo 300 crianças. Agora no 25 de Abril estiveram 1000, "quem sabe da próxima vez não estarão 3 mil?", explicou Nélson Cardoso, director da empresa municipal. Com apenas seis meses, esta ideia de 'Coro Municipal' está a ser trabalhada por três professores da área musical.

Este ano, as comemorações do 25 de Abril foram diferentes. Saiu das ‘paredes ancestrais’ do salão nobre da câmara municipal e não se limitou aos discursos de circunstância.
O local escolhido para a cerimónia foi o Pavilhão Municipal de Gaia que encheu por completo com as crianças do Coro das ‘Actividades de Enriquecimento Curricular de Gaia’ e os homenageados.
Mais de 1000 crianças – e muitos pais ‘a reboque’ – animaram e cantaram temas infantis para os convidados.
A ideia foi boa, não fossem os discursos inadequados e pouco apelativos em relação ao público infantil. Com toda a certeza, esta não foi uma boa experiência para as crianças. O 25 de Abril continua a não significar nada para elas e, pior do que isso, de nada serviu para as aproximar das responsabilizações políticas.
Como habitual nesta sessão solene evocativa do 25 de Abril, todos os grupos parlamentares com assento na Assembleia Municipal discursaram. António Tavares (presidente da junta de Pedroso) pelo Movimento Independente de Cidadãos de Afurada e Pedroso; Alberto Sousa, pelo Bloco de Esquerda; o comunista Jorge Sarabando; Sérgio Vasconcelos, pelo CDS-PP; a socialista Carla Silva; e o social-democrata António Rocha. Quase todos longos discursos, cheios de mensagens políticas típicos destas cerimónias. Com excepção da ‘queda’ do PSD, quase de certeza que o coro não ‘ouviu’ uma palavra dos eloquentes discursos.
Menezes, ao contrário dos anteriores, conseguiu atrair a atenção da criançada. “Hoje assiste-se aqui a três recordes: um coro tão grande, com tantas crianças, todas a cantar tão bem; mil e tal crianças a aguentar tantos discursos e mesmo assim a portarem-se bem; e o discurso mais curto que algum presidente da câmara fez numa cerimónia do 25 de Abril”.
Apelando a um jogo mais clubístico, o autarca evidenciou a tolerância e o respeito que a revolução de 1974 trouxe à sociedade. “Apesar de serem de clubes diferentes, vocês são amigos uns dos outros e respeitam-se. È o que acontece em Gaia. Apesar de sermos de partidos diferentes, graças ao 25 de Abril, estamos todos juntos a combater pelo progresso do nosso município e do país”.
O presidente da câmara acredita no potencial do ‘coro’. Mas para isso é importante dar-lhes “oportunidades”. Assim, certamente “vão fazer mais por Portugal”. Filipe Menezes terminou incitando a sala a aplaudir “este 25 de Abril, o da tolerância, do respeito e da liberdade”.
Coube a José Reis discursar em nome dos homenageados. “Sinto-me muito recompensado” com esta homenagem. Ela só demonstra o reconhecimento da cidade pelo papel relevante de cada um de nós à comunidade, nas mais distintas áreas.
O coro encerrou a cerimónia, cantando o Hino Nacional.

Clique para conhecer o nome dos homenageados…

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5 comentários a “Sociedade

  1. É de saudar que as comemorações do 25 de Abril sejam uma festa, mas deve sempre haver um lado mais solene e reflexivo sobre o significado da data.

    É por isso lamentável o exercício de manipulação tentado pela maioria que governa a Câmara, que em anos anteriores chegou até a tentar sabotar as comemorações:

    -não informou atempadamente os diversos partidos da Oposição sobre os moldes em que iria decorrer a sessão, pelo que estes admitiam que se iria tratar de uma sessão solene – e por isso prepararam as suas intervenções em moldes reflexivos;

    -a realização pela primeira vez de uma festa popular tem uma razão oportunista: é que este ano há 3 actos eleitorais (Parlamento Europeu, Autarquias e Assembleia da República), e interessará decerto atrair boas vontades

    Não sejamos ingénuos, e sobretudo não tentemos branquear a coisa: escrever “A ideia foi boa, não fossem os discursos inadequados e pouco apelativos em relação ao público infantil” sem procurar saber das causas de tal situação é, no mínimo, incompetência jornalística.

    • O facto de não saber ler é no mínimo incompetência visual. O facto de não entender uma frase tão simples é no mínimo incompetência cerebral.
      E o facto de não entender que discursos políticos não dizem nada a miúdos de 10 anos não é incompetência, é burrice.

    • Caro Sr. Vítor Vieira.
      Apesar de estar muito próxima da perfeição, admito que há um ou outro defeito que tenho. Com toda a certeza, incompetência não é um deles….
      Antes de escrever o texto falei com os organizadores do evento que me garantiram que:
      1.º Todos os líderes das diferentes bancadas da AM sabiam como iriam ser as comemorações do 25 de Abril.
      2.º Todos – e reforço – todos se comprometeram a discursar (um direito que lhes assiste, conquistado há 35 anos) no máximo 3 minutos, já que na plateia se encontravam mais de 1000 crianças.
      3.º E, mais uma vez, como não sou incompetente também acho que esta opção não foi tomada sem esquecer as eleições… mas se estavam lá as crianças, penso eu (que tenho o mesmo direito democrático de o fazer!) que os discursos deveriam ser mais pedagógicos!
      Tânia Tavares

  2. As comemorações do 25 de Abril, organizadas pela cãmara, foram uma «seca» e nada pedagógicas para as crianças e perfeitamente inadequadas no contexto dos órgãos autárquicos.
    «Obrigar» as crianças a permanecerem durante mais de três horas num pavilhão frio e ainda a assistirem a uma série de discursos, que naturalmente não entenderam nem lhes eram dirigidos, foi um sacrifício imposto e pedagogicamente desaconselhável, para ficarem com uma boa imagem do 25 de Abril (se a ideia era essa).
    O poder autárquico, uma importante conquista do 25 de Abril, não comemorou com a dignidade que se justificava esse acontecimento maior da história de Portugal e os seus eleitos não mereceram a atenção e respeito devido,
    nomeadamente nas suas intervenções representativas.
    O presidente da câmara chegou 35 minutos atrasado, contribuindo para agravar a «seca» das crianças, o que depois pretendeu talvez compensar com os «recordes»…
    Estou perfeitamente de acordo que a câmara realize uma iniciativa para as crianças no 25 de Abril e sobre o 25 de Abril, em que elas participem e cantem também, entre outras, as belas canções de Abril, e que lhes seja proporcionada uma festa e espectáculo, com a duração adequada, que as ajude a desenvolver a liberdade e os valores de Abril.
    Misturar uma iniciativa para as crianças, com uma sessão solene e política, essencialmente para adultos, é que não foi bom, nem se deve repetir.
    Aproveito para esclarecer, que não fui consultado, nem mandatei o sr. José Reis para falar em nome dos homenageados.

  3. Nada como um incompetente para acusar os outros de defeitos próprios.
    Bom trabalho.
    Parabéns ao Notícias de Gaia, até porque é o único jornal em Gaia que se nega a segurar em guarda-chuvas e lá vai mantendo a independência, bem diferente de incompetência.

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